Bagaço Seco (Arrasta Pé)

Ó cabritinha não quer me respeitar, amo tanto e você não cansa de me lograr.
Tantos chifres põem para me castigar, berrante de boiadeiro não gosto de toca.
O dono dos chifres é chato sem motivo pra alegrar, tua tropa vem me rodeia.
Minha tristeza ver tantos pra te amar desespero é chifres aumentar.

Ó cabritinha que eu na deixava por nada, sinto ciumento ver você animada.
Fico triste ver aumentar a sua boiada, estou definhando nesta vida desgraçada.
Fico eu de lado igual vaca pesteada, você divertindo até de madrugada.
Fico eu um bagaço seco com toda garapa sugada, leite do boi por você é ordenhada.

Ó cabritinha que comigo não se importa, mas um dia secará a sua horta.
De madrugada não vou abrir a porta, procure  seus chifrudos veja quem te conforta.
Vai recordar daquele amor que com amor exorta, vem me procurar quando está quase morta.
Não traz refugio quando o presente entorta, meu coração hospitaleiro hoje se aborta.

Composta em 08 de novembro de 2006 – às 11h08

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