Cabide que eu Carrego (Baião)

Rosana rica em felicidade sua horta tem variedade.
Tem nabos na porta da grade seus canteirinhos eu rego.
Tem chuchu rabanetes e pepinos banana quiabo fino.
Não trabalho clandestino minhas notas não sonego.
Ela é minha eleita vejo ficar satisfeita.
Somos autônimos na empreita faço voar fogo do prego.

Nunca me judiou ou aborreceu vamos pescar depois que anoiteceu.
Piram bóia ela comeu luto venço dou prazer não sossego.
Ela passa brejo e ribeirão não molha pé ou combinação.
Botando em compulsão num cabide que eu carrego.
Deixando em alforria forma tamanha gritaria.
Na minha carpintaria uso o martelo e o prego.

Crio ela na represa com tratamento que é uma beleza.
Ela pesca na certeza só fisgando bagre cego.
A tarde estou arrebentado meu trabalho foi forçado.
Não mostro que estou cansado esquento a cabeça do prego.
Na classe de terceira idade somos pescador de identidade.
Não temos disparidade sou velho forte não me entrego.

Com ela eu vou pescar ela sabe vou provar
Ela pesca traíra, piaba ao mariscar no anzol pesca bagre cego.
No covo a tarrafa encosto sucesso tenho aposto.
As coisas que eu mais gosto nessa grudo e apego.
Ela aceitou pedido de rogo o ganso eu afogo.
Vou fornecendo fogo ela come bagre cego.

A tarde estou descansado revolver carregado.
Confesso que estou ralado a verdade que eu não nego.
Lutamos em porfia sou firme na pontaria.
Não deixo caçada pro outro dia dou tiro certo não nego.
Não durmo até madrugada sem canseira da jornada.
Ela dorme desmaiada mais por desprezo eu ofego.

Composta em 28 de outubro de 2006 – às 18h04

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