Gato de Armazém (Baião)

Contratei uma velha seca morar em minha maloca.
Sabe que duro levei foi um erro de taboca
Era vesga desdentada tinha os olhos numa toca
Braços e pernas eram só rugas barriga só pipoca;
Era ruim e rabugenta tagarela só fofoca.
Ciumenta pé de avestruz no pescoço tinha croca.
Roncava tinha pesadelo  bufando dorminhoca
Igual locomotiva fumaça afetava as docas;

Chamava-me eu de benzinho  igual cão quando se invoca
Vivia me beliscando e o coitado não desemboca
Igual gato de armazém onde os ratos dançam e tocam
Gato dorme satisfeito parecendo uma minhoca.
Ela igual a rua São  Pedro não igual  a viela do Nóca.
Igual um congelador e um rio em pororoca.
Tinha brincos e colar querendo ser chinóca.
Tinha vergonha dizer que era da favela  carioca.

Procurei uma cartomante que morava em Itaóca.
Disse você esta perdido deixe a vida de boboca.
Suma logo noutra bandas de Itararé você desloca
Persistindo com a velha nunca pia a jeripoca;
De Itararé fugiram a saudade dessa velha sororoca.
Deixo de ser lavrador não planto  milho e mandioca.
Vou as divisa de Minas  lá pras bandas de Mococa
Entrego a velha  aos urubus que te comam nas barrocas;

Composto em 19 de outubro de 2006 – às 18h26

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