Adélio Carlini Baião Gato de Armazém (Baião)

Gato de Armazém (Baião)

Contratei uma velha seca morar em minha maloca.
Sabe que duro levei foi um erro de taboca
Era vesga desdentada tinha os olhos numa toca
Braços e pernas eram só rugas barriga só pipoca;
Era ruim e rabugenta tagarela só fofoca.
Ciumenta pé de avestruz no pescoço tinha croca.
Roncava tinha pesadelo  bufando dorminhoca
Igual locomotiva fumaça afetava as docas;

Chamava-me eu de benzinho  igual cão quando se invoca
Vivia me beliscando e o coitado não desemboca
Igual gato de armazém onde os ratos dançam e tocam
Gato dorme satisfeito parecendo uma minhoca.
Ela igual a rua São  Pedro não igual  a viela do Nóca.
Igual um congelador e um rio em pororoca.
Tinha brincos e colar querendo ser chinóca.
Tinha vergonha dizer que era da favela  carioca.

Procurei uma cartomante que morava em Itaóca.
Disse você esta perdido deixe a vida de boboca.
Suma logo noutra bandas de Itararé você desloca
Persistindo com a velha nunca pia a jeripoca;
De Itararé fugiram a saudade dessa velha sororoca.
Deixo de ser lavrador não planto  milho e mandioca.
Vou as divisa de Minas  lá pras bandas de Mococa
Entrego a velha  aos urubus que te comam nas barrocas;

Composto em 19 de outubro de 2006 – às 18h26

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