Simplório até na Velhice (Baião )

Sou matuto de verdade veja que não posso menti.
Vivo lidando com cobras de jararaca até sucuri.
Matei muitas cobras estranhas que eu tenho de admitir.
Uma era cor da terra outra era azul cor de anil.
Outra era bem vermelha cor de sangue ou de giz.

Cor da terra foi mansinha no final quis me morder.
Outra que era azul cuidadosa pra me conhecer.
Vermelha cor de guerra tinha ciúme sem conter.
As cobras eram esposas que vieram me aborrecer.
Elas viraram caras de tempestade com sol quente sem chover.

Cor da terra levou suas filhas ficou dona da minha casa.
Que herdei de pai e mãe e meu patrimônio vasa.
Aquela que era tudo azul o veneno me arrasa.
Vermelha levou em autoridade sem cair fiquei na embasa.
Começou arranjar amores pra cortar a minha asa.

Percebi que neste mundo que todos se falam em amor.
Eu simplório até a velhice falsidade me logrou.
Levei o nome de corno das cobras que me picou.
Matuto morre aprendendo neste mundo enganador.
Mais de todas as cobras venenosas os antídoto me salvou.

Em 5 de novembro de 2006 Hora 15;36 domingo

Subscribe
Notify of
guest

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments