Sopas Geladas (Baião)

  

Eu saia bem cedinho até uma altura me acompanhava.
Ao dobrar o quarteirão você já se preparava.
Indo por outro caminho em seguida me lograva.
Eu chegava à tardinha muito triste esperava.
Eram às nove da noite quando a porta empurrava.
Eu chorando sem dormir ela ainda me beijava.

Com o tempo escorregando eu fingindo que acreditava.
Querendo escorregar mais comigo já na se importava.
Retirou meus privilégios e no meu nome boquejava.
Igual mosquito na sopa que minhas asas nadavam.
As fumaças quentes da sopa meu prestígio abatia e devorava.
Depois do mosquito morto da sopa não escapava.

Logo tudo apurando na fumaça eu não passava.
Distanciei do refeitório percebi que você notava.
Daí um cartão vermelho para mim ela apressava.
Hoje durma descansada é tudo o que desejava.
Asas sem corta ou apodrecidas isso eu não almejava.
Sopas quentes eu detesto sopas fria enojava.

Saí com as asas intactas disso você raivava.
Forneça suas refeição com os bobos que você escrava.
Sou livre de aerosól daquilo que preparava
Apelidaram eu e chifrudo, pois todos desconfiava.
Certificando com os acontecidos da tarrafa que pescava.
Peixes sem quantidade para ela não faltava.

Sopas africanas e européia dessas que ela apreciava.
Até cardápio nordestino gulosa entendia devorava.
Não gosto de carne de rã ou perereca que escumava.
Comia sopas de mandioca porque em tudo me enganava.
Vatapá sopas de palmitos na geladeira guardava.
Vou fugir pra Honolulu longe da falsa gelada Isaura.

Composta em 5/11/2006 Hora 10;05

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