Sabão na Laje (cateretê)

Se abraços e beijos deixassem a morena mais interesseira.
Se cheque especial notas graúdas estorvando na carteira.
Se meus versos de endecha a fizesse ela chorar.
Se meu carro do ano engodasse fazia ela me amar.

Estaria radiante de amor conquistando a mais linda mulher.
Se bigode a resolvesse ela despenaria dizendo bem me quer.
Vivo dando presente ela fria não contribui.
Nem que veja meus úteis documentos jamais influi.

Ama-me só por algum momento é demais apressada.
Igual sabão na laje que é facilmente escorregada.
Não sabe dançar tu isque nem rok nem dança lambada.
É uma múmia sonolenta inerte sem ligar pra nada.

Ela não pula para cima nem com ferrão de aguilhada.
Nem fogo ou formicida a faz ela ficar assustada.
Ela tem olho de sapo só olha de canto ou de traição.
Parece ser da era paleozóica fria gelada a sua paixão.

Igual o cio de animais só chega à época tempo certo
Seis meses você fica distantes dois dias no ano que chega perto.
Não zela do jardim nem trata do leitão o pepino não é regado.
Não trata de minha horta o nabo já está seco está murchado.

Galinhadas no terreiro perderam até o trilho.
Galos e frangos no galinheiro são privados de milho.
Meus cabritos e éguas no curral de aborto perdem todo o filho.
Pra encerrar digo é prato escorregadio sem desenho e sem brilho.

Composta em 16/9/ 2006 Hora 15;00

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