Enlaçado com a Vera (Guarânia)

Moro no meio do sertão onde faço ceva de espera.
Pra caçar codorna e  inhambu com o perdigueiro na tigüera.
Não tenho luxo nem salário sou feliz numa tapera.
Sou um roceiro garboso vivo no meio das feras.
Lá o amor é verdadeiro o ano inteiro nós gera.
Sou feliz e ninguém furta jamais eu pago a multa.
E dia inteiro exulta com a minha amada Vera.

Eu levanto bem cedinho  todo o pasto a gente beira.
Ponho milho para os burros depois a gente enquaiéra.
Dou milho aos porcos e galinhas  os pintos come quirera.
Sondo as chuvas no horizonte sondo o sol e atmosfera.
Sondo os ventos sulino  sondo a lua na esfera.
Sondo o galanteio do amor  sondo o desabrochar da flor.
Reservo supremo primor nos braços da minha Vera.

Lírios dos campos traz me a paz me da gosto a primavera.
Quando vai chegando o inverno os anseios se maneira.
No outono e no verão a gente nunca exagera.
Nosso mutuo amor no difícil  nos intrevera.
No intenso  da lua cheia hora que nós prospera.
Nossa alegria no lar meu bem reserva pra me amar.
Sem ver o tempo passar enlaçado com a Vera.

Atendo a minha guaiaca  tem tempo que quase  zera.
Mais logo os cinqüentinhas é tempestade não goteira.
Reservo tempo ao Todo Poderoso é com fé que ela venera.
Quero ser bem talentoso odeio o tipo paquera.
Enfrento super abundância sendo fértil na paquera.
Zelo do meu coração, no amor tenho afeição.
Alegria à no sertão só juntinho com a Vera.

Composta em 18 de julho de 2006 – às 16h25

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