Forquilha Noventa Graus (Guarânia)

Procurei um conselheiro, pra desvendar meu fracasso.
Em ver a mulher que eu amava, ser feliz em outros braços.
Meu coração já não bate, comprimindo o seu espaço.
Fui um garanhão de sorte, hoje na estiagem sem ameaço.

Não envergonho dos colegas, hoje a crista derrubada me a rebaixo.
Otimismo fui pros escanteio, em nada mais eu disfarço.
Num mundo oco destemperado, com nada mais eu engraço.
Cantei no terreiro garboso, hoje outro canta em meu pedaço.
Acabou todo meu dinheiro, e naufragando o meu barco.
Minha voz de aguda de primeira, hoje não canto nem por baixo.
Vivia socado de notas verdonas, hoje furou o meu bombaxo.
Depois que eu fiquei na lona, ela foi devastar outro ricaços.

Procuro esquecer e não consigo, fica zero tudo que faço.
Lagrimas de arroio aumentou, transformando num riacho.
Tornou um visgo seboso, nos pisos do meu terraço.
Caçava capivara pescava piranha, hoje nem mosquito eu caço.
Ajude-me ó bom conselheiro, reforce meus planos e passos.
Pois andava firme confiante, hoje só ando no embaraço.
Sou forquilha noventa graus, aumentando grande inchaço.
É duma hérnia que atormenta, todas fogem do meu regaço.

Composta em 16 de setembro de 2007 – às 14h52

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