Cheiro de perfume (Pagode)

Na volta daquela estrada já via a luz do sol clariar
Vi uma suindara voando sentou na moita de anhapindá
Querendo fazer pontaria rodei comecei negaciar
Escorreguei num ramo de caeté ao estar pronto pra atirar

Ao cair o tiro disparou atingindo um bando de tamanduá
Matei dezessete deles  vinte conseguir escapar
Desci buscar o burro amarrado mas ele vinha vindo me encontrar
Trazendo espoleta pólvora a chumbo porque vimos a onça miar

Carreguei depressa a espingarda não deu tempo pra atirar
Ela de boca escancarada deixei  ela aproximar
Enfiei em sua boca a mão potente  vi os dentes dela estalar
Procurei alcançar a cauda  aos avesso fiz arregaçar

Virei ela aos avessos  banguela sem poder me atacar
Quando olhei mais ao redor não sou de mentir ou amedrontar
Mais de vinte e cinco onças dei rasteira e fiz rolar
No Apiaí fiquei conhecido, pois viram todas elas passar

Capoeirão de caviúna e peroba rente ao chão viram ficar
Ficou a roçada pronta outro dia foi só queimar
Outro dia bem cedinho peguei colo água e saraquá
Plantei três alqueres  e meio  e dois e meio de arrozar

Do milho tratei de ouriço tatu papagaio quati vieram mora
Do arroz criei os chupins e juriti formou zoológico  de anima
No Apiaí maior lugar turístico brasileiros venham visitar
Um verdadeiro paraíso até urutu vieram me abraçar

As onças vieram de novo mais não para me atacar
O milho jamais paro de produzir  só vemos roças formar e espigar
Os animais  não comeram tudo trouxe os sem terras pra ajudar
É jamantas e mais jamantas de milho seco e verde transportar

Agora sei que aumentou  grãos no Brasil toneladas pra exportar
No Apiaí sou afamado  e notícias em todos os jornais
As onças la preparam o circo  bicharadas vem  cantar
Os quatis são os mestres cucas que mais sabem cozinhar

Os macucos vivem chorando por ver o cantar de sabiá
Sundaria que eu não atirei hoje é o telefone do lugar
Junto com os chã chãs sabidos comunicam sem celular
Raposas não vem pegar voto  nós quer prefeitos pra trabalhar

Os caciques das quebradas  seu rabo tem de enrolar
Eu é que serei o prefeito mudança vou provocar
Até o rio ribeira da foz vou fazer tornar voltar
Acabou o ramal da fome pois em tudo vou ajudar

O que eu fiz foi um milagre sem prefeitos pra igualar
Agora de braços com as morenas nem vejo o tempo passar
Vivo só cheirando perfumes de tanto me abraçar~
Minha vida é um mar de rosas  com jardins pra cultivar

Crocacas corujas onças e raposas deixei as pernas esticar
Piranhas piabas traíras sossegadas não quero mais ir pescar
O meu burro companheiro tosa as unhas do tamanduá
Das belezas sou o maior gatão tenha salivas pra beijar

Da urutu que me ofendeu só deu lucro tirou-me o azar
Do seu veneno fiz panacéia  balsamo que igual não  há
Que continuem me ofendendo para o mundo  vim se salvar
Jaz doenças da minha querida que é para nunca mais chorar

Macucos e caciques que chorem pois da aids não  se poderá curar
Macucos vê cororócas saltar as veias  macucos vê seu patrimônio falênciar
Morrem todos os gatos de armazém  e os bodes e garanhões relinchar
Nem marapuama o catuaba faz macucos chegar lá

Composta em 10 de dezembro de 2006 – às 12h08

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