Saudade da Marilú (Pagode)

Brilha o céu estrelado brilha o cruzeiro do sul.
Brilha os ouros nas orelhas das lindas mulher do Itu.
Brilha o bom brasileiro que carrega o tutu.
Brilha artista de cinema  acompanhado dum bidu
Brilha homem espiritual distante do Belzebu.
Brilha o bom violeiro cantando pagode e lundum.
Morre os doentes nos hospitais no mato morre o jacu.
Morre no campo a  seriema morre codorna e inhambu.
Morre o pobre do amante por estar limpo o baú.
Morre o lavrador arrebentado de tanto bancar o tatu.
Morre o touro envenenado nos dentes da urutu.
Morre o bom violeiro  saudade da Marilú;

Cheira a linda morena por nadar em perfume e xampu.
Cheira o nariz do farmacêutico na farmácia de Botucatu.
Cheiram o homem apaixonado a mini roupinhas azul.
Cheira o beija flor a rosa só não cheira o anum.
Cheira também a carniça o faminto urubu.
Violeiro cheira mulher bonita e não fica jururu.

Vive cantando o sanhaço no alto do mandacaru.
Canta sabiá na laranjeira canta perdiz no murundu.
Canta o chupim e pintassilgo lá na copa de bambu.
Canta só dinheiro grosso banco Suíço e banco Itaú;
Canta balas nas favelas canta a mulher do Artur.
Canta o bom violeiro desafio de cururu. 

Vive gordo e roliço o bezerrinho zebu.
Vive sempre farejando o cachorrinho lulu;
Vivem aplicando calote os borrachudos no abajur.
Vive bem em água doce lambari piaba e guaru.
Vive bem endinheirado quem enfrenta o guatambu.
Vive bem o violeiro sem trem no carandiru.

Há alegria ver as morenas no largo do Paissandu.
Há alegria dos corintianos no estádio  do Pacaembu.
Há alegria dos baianos por plantar cana e jerimum.
Alegria dos advogados verem loucos formar guaiú.
Há alegria dos garimpeiros por pegar diamante guassu.
Há alegria dos violeiros por dar bom trato no chuchu.

Composta em 17 de outubro de 2006 – às 18h39

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