Petróleo Viaja no Caixão (toada)

 

Sou boiadeiro de raça. Um excelente campeiro.
Ganhei muito dinheiro. Por amor na profissão.
Tinha prazer na vida. A guaiaca recheada.
Meu lar era a estrada. Meu carro era o alazão.

Infelizmente fui castrado. Meu emprego foi falido.
Hoje bois são conduzidos. No potente caminhão.
Saudade de outrora. Ao ver meus apetrechos.
Choro e faço o desfecho. Daquele tempo tão bom.

Delirando é que vejo. Que estou cercando a boiada.
Com a roupa empoeirada. Nesse fundo de sertão.
Os homens eram de cerne. E tempo de fartura
Os peões tinham candura. Sem necessitar de sermão.

Hoje encerrou tudo.  Pra ser peão tem concurso.
Porque o campeiro é expulso. Em procura de patrão.
O tempo vai mudar. Voltará ser carro de boi.
Modernagem frágil que perdoe.  Petróleo vai pro caixão.

Composta em 14/3/12

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