Deus Fornece Extrato (Valsa)

Sou uma andorinha sozinha. Não sei escrever de modo exato.
Sou matuto criado no guatambu. Não estudei nem sou literato.
Quem chegou lá de comentários. Solte firme seu aparato.
Se eu fosse rico bem abastado. Davam impulso em meu status.

Tanta vontade de expandir. Mais a pobreza cortou meu barato.
Sempre no final da fila engarrafado. Sem cão só caçando com gato.
À vida foi em tomar água de cascata. Água corrente de regato.
Os avós paternos vieram da Itália. Sou neto de dois costados nato.

Bis avós maternos português. Justiceiro espinhoso igual cacto.
Foram criado em sinceridade. Ninguém divulgava boatos.
Assinava documentos verídicos. Cumpria as regras do contrato.
Eu com seis decênios de penitenciária. Sempre caipira do mato.

Escrevo os meus versos bonitos. Porque Deus fornece o extrato.
Cachola decifra o segredo. Para os curiosos eu relato.
Se andorinha é faceira nos ares. Com enfeite de anonimato.
Canta voando serena segura. Sem fazer pose de teatro.

Composta em 14 de agosto de 2011 – às 22h

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