Adélio Carlini Xote Gaúcha vencida (Xote)

Gaúcha vencida (Xote)

Namorei uma gaúcha do bigode trançado.
Tinha braços musculosos à voz era um trovão.
Andava apressado como anda um vigário.
Trinta e oito embalado forte em persuasão.
Sua ninfomania assustava os gargantudos.
Com minha satiríase a deixei ela em convulsão.
Minha vida foi muito transformada e animada.
É com esse tipo de amor eu esperava conclusão.  

Levanta a meia noite prepara um guisado.
Come mel come geléia virado de feijão.
Volta tirar mais uma soneca mais fica acordada.
Porque em seu recinto habita um garanhão.
Ela divorciada de quatorze retardados.
Frouxo ficaram bandos de camisolão.
Hoje dorme com pesadelo só uma gota de noite.
Mais o dia inteiro nos faz peso no colchão.

Em viagem imaginária lembra sua terra.
O trem apita no túnel atravessando a estação.
Lembra Santa Maria e Uruguaiana.
Passo Fundo e Bagé com a falta de ração.
Hoje vesgueia chora fala dá choque de eletricidade.
Imita burro brabo um potro redomão.
Final do pesadelo me apelida eu de invencível.
Chama de matuto valente diz que eu sou o rei do peão.

Estrada colorida cheia de morros e picos.
Viagem é interrompida não por faltar combustão.
Imprevisto aproxima de susto estremece.
Acorda em mata escura num abismo de erosão.
Mais é no meu recinto  que ela fica dominada
Grunhido igual paquiderme acelerando o coração.
Como múmia inerte acaba toda bravura.
É uma novilha vencida nos tentáculos do Sansão.

Composta em 15 de agosto de 2006 – às 16h51

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